Autor: Pedro Porciúncula
Título Original: Epifonia
Páginas: 138
Ano: 2019
Gênero: Ficção
Editora: Chiado Books


Quando se pega um ônibus, podemos ir até ao nosso destino, ou mudá-lo completamente. Regados a boas histórias e Rock n’Roll, dois amigos viajam até Porto Alegre para assistir ao show de sua banda favorita. Em uma Jornada espiritual e musical, eles decidem que nada mais será como costumava ser e que todo o tempo ruim ficará para trás.
Quando um amigo tem muitas histórias para contar e a vida parece não estar cheia de muitas surpresas positivas, parece que as ideias começam a não sair corretas. É assim que o personagem principal de Epifonia começa sua saga. Um profissional da área de humanas que ainda não encontrou sua fama e que dá aula de inglês e que se encontra não passando em seu mestrado.

É então que reúne decide escrever um conto e fazer uma ilustração para uma de suas bandas favoritas: Matanza. E não somente isto, decide também que entregar direto para a banda pode ser o pontapé inicial para o próximo sonho. Porém o show é em Porto Alegre e são cinco horas de viagem até lá, de ônibus e monotonia pura.

"Rimos. Porém, não podia deixar de ser aquele cara que tenta botar juízo na cabeça dos outros. Esse era o meu propósito quando estávamos juntos." P.15

Assim o personagem decide que com seu melhor e mais maluco amigo Felipe vai ir até lá, se juntar ao seus outros amigos que moram em Porto, o Thiago e o Álvaro e em uma trama maluca e em aventuras para lá de perigosas tentar fazer isto dar certo.

O meio do caminho são todas as aventuras que acontecem tanto durante a viagem quando as lembranças que surgem da amizade de todos. Afinal, ser adulto não é algo tão simples e sempre se imagina algo diferente. Ao chegar em Porto Alegre eles vão ter que lidar com emoções e uma ansiedade sem fim até o ponto final desta saga.


Vamos então falar de Epifonia. Vou ter que dizer que em certos momentos a leitura teve dois ápices da minha razão. Nossa, que coisa meio estranha para eu escrever então vai ser muito melhor eu explicar.

Primeiro preciso falar sobre os personagens. Primeiro tenho que citar o personagem principal que ainda não conseguiu alcançar seus sonhos e objetivos e está naquela fase da vida, ou nas várias dela, em que ficamos nos questionando qual a razão de tudo estar tão errado ou por qual caminho estamos seguindo. É o cara mais certo da turma, diga-se de passagem.

"De longe, eu a vi esperando na porta. Ela era inconfundível na multidão. Tudo ficava preto e branco ao redor dela e a vida, de represente, fazia sentido." P.23

Em contrapartida há Felipe, que é o personagem gostosão, que acaba pegando todas as mulheres, é o fortão que bate em todo mundo e por aí vai. Já os outros Thiago e Álvaro já são mais reservados e tem um foco menos central na trama. Mas acho legal que eles também possuem sua experiência de loucura.

Então, o fato é que chegou um momento em que eu estava com olhos de uma leitora feminina e feminista. Então em certos momentos o tal Felipe me dava raiva, pois a todo momento era uma mulher que ele pegava, era outra que ele passava a fala. Ou seja, parecia que todas as mulheres não tinham valor. Então eu parei o livro por um tempo para analisar qual o meu posicionamento como leitora. Leitora crítica que não pode aceitar uma visão diferente? Então voltei para a história!



Veja bem, a história é fictícia e sabe-se muito bem que existem mil Felipes por aí. Minha leitura não estava liberando nenhum tipo de Felipes na sociedade e sim conhecendo um personagem. E então quando aceitei isto a leitura foi uma total aventura. Posso dizer que o autor tem uma dedicação pela escrita que é como se ele estivesse escrevendo um diário.

"Foi quando eu entendi as regras do jogo do Caos e, uma vez que minha oportunidade tinha passado, ficou claro para mim que eu teria que a partir dali uma espécie de fardo para carregar. O tributo não fora pago e a oferenda não seria aceita." P. 107

Ele cita bandas as quais eu conheço então eu sabia que a forma como ele escrevia eram reais e também os tais moshs ou as tais rodas punks que ele cita também. Afinal, eu já participei de algumas! Sim. Todo mundo tem sua dose de loucura na vida! E ele vai desempenhando o papel do personagem mostrando como a vida é insana e como é um caos que vai se desenvolvendo.

O final da leitura tem uma reflexão ótima. Nem sempre o que fazemos em diversos momentos é o que vamos fazer para sempre na vida. E até mesmo nisso cito o Felipe. E foi por este motivo que mudei completamente minha opinião. A idade passa, as ideias mudam e os sonhos se concretizam. Pedro conseguiu colocar tudo isso em poucas páginas, mas em experiências bem tocantes!


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