Autor: Ken Follett
Título Original: Eye of the Needle
Páginas: 336
Ano: 2018
Editora: Arqueiro

O ano é 1944. Os Aliados estão se preparando para desembarcar na Normandia e libertar os territórios ocupados por Hitler, na operação que entrou para a história como o Dia D.
Para que a missão dê certo, eles precisam convencer os alemães de que a invasão acontecerá em outro lugar. Assim, criam um exército inteiro de mentira, incluindo tanques infláveis, aviões de papelão e bases sem parede. O objetivo é que ele seja fotografado pelos aviões de reconhecimento germânicos.
O sucesso depende de o inimigo não descobrir o estratagema. Só que o melhor agente de Hitler, o Agulha, pode colocar tudo a perder. Caçado pelo serviço secreto britânico, ele deixa um rastro de mortes através da Grã-Bretanha enquanto tenta voltar para casa.
Mas tudo foge a seu controle quando ele vai parar numa ilha castigada pela tempestade e vê seu destino nas mãos da mulher inesquecível que mora ali, cuja lealdade, se conquistada, poderá assegurar aos nazistas a vitória da guerra.
Na obra-prima que lhe garantiu, há 40 anos, a entrada no cenário da literatura, Ken Follett fisga o leitor desde a primeira página, com uma trama repleta de suspense, intrigas e maquinações do coração humano.

No ano de 1940 um espião alemão tinha sido treinado incansavelmente para ficar infiltrado dentro do território britânico e descobrir todas as artimanhas inglesas. Claro que ele conseguia passar os principais locais para ser bombardeado e muito mais coisas. O apelido dado a ele: Die Nadel ou A Agulha.

"Conseguiu se manter frio em relação à mulher. Estavam em guerra; eles eram inimigos: se não a tivesse matado, ela provocaria sua morte. Ela se tornara uma ameaça , e agora ele sentia apenas alívio porque a ameaça havia sido eliminada. Ela não deveria tê-lo assustado." P. 21

Faber era o melhor espião que existia. Claro que havia outros, mas muitos eram pegos e transformados em agentes duplos, outros eram mortos. Faber tinha tantas personalidades e era muito bom no que fazia, que Hitler confiava em tudo o que ele dizia. 

O historiador Godliman não arredou os pés de Londres mesmo com os bombardeios. Estava fazendo muitas pesquisas e precisava concluir tudo o que tinha começado. Mesmo que os alemães destruíssem todos os locais culturais, ele não podia deixar aquele lugar cheio de história. E foi por saber tanto que o MI5 acabou o recrutando para tentar capturar um espião chamado Henry Faber.

"Lucy achou aquela empolgação um tanto supeita, mas tinha que admitir que o lugar parecia bonito: ventoso, natural e revigorante. E essa decisão fazia sentido. Precisavam se afastar dos pais e recomeçar a vida de casados. e não havia razão para mudar-se para uma cidade que seria bombardeada quando nenhum dos dois estava suficientemente bem para ajudar. Então o pai de David revelara que era dono de uma ilha no litoral da Escócia, e pareceu bom demais para ser verdade." P. 51

Lucy estava se casando com o amor de sua vida. David estava indo para a guerra no dia seguinte. Tinha terminado seu treinamento na RAF e ia ser piloto como sempre sonhou. Claro que Lucy não estava feliz. Ela queria fugir e só tinham uma noite para passar juntos. E quando voltavam para casa para esta última noite um acidente acabou deixando David em uma cadeira de rodas, sem poder realizar seu sonho. E assim o que os dois puderam fazer de verdade foi ir parar na Ilha da Tormenta, uma pequena ilha isolada na Escócia, com duas casas pequenas, um lugar onde ninguém consegue ir, somente um barco aparece a cada quinze dias.



Em 1944 um avanço está criado para atacar a Alemanha e tentar ganhar a Guerra. Porém um segredo precisa ser mantido. Todo mundo precisa fazer os alemães acreditarem que o ataque será em Calais e um enorme teatro foi criado no litoral da Inglaterra. Aviões, tanques, soldados, tudo de mentira. Porém o temido Die Nadel descobriu a verdade e precisa chegar até o submarino ao lado de uma ilha na Escócia e revelar a verdade.

O mundo está em jogo. Quem ganhará?

"Em seguida, pôs a mão esquerda no peito do agente e colocou o peso em cima, como se fosse se levantar da cama. Desse modo, pôde sentir exatamente onde as costelas terminavam e começava a barriga macia. Enfiou a ponta do punhal abaixo das costelas e golpeou para cima, até o coração." P. 75

Estranho e engraçado ao mesmo tempo estar lendo esta obra quarenta anos após o seu lançamento. Claro que este foi o grande lançamento que lançou Ken Follett ao sucesso e ao mesmo tempo parece totalmente atual. É uma obra que não importa o momento em que se leia é um tema que sempre vai estar em voga.

Mais uma vez comento nesta resenha, já que sempre falo em todas as resenhas que possui este tema, eu adoro histórias sobre a Segunda Guerra Mundial. Sou um pouco fascinada em toda a história das guerras e Ken Follett utiliza muito sobre isto em seus livros. Desta vez ele vai usar como cenário a Inglaterra e a Escócia.







"Sabia que , se continuasse a explorar, acharia mais campos de aviação como aquele, mais alojamentos semiconstruídos. Se fosse ao Wash, descobriria uma frota de destroieres e de navios de transporte de tropas feitos de compensado.
Aquilo era uma farsa gigantesca, meticulosa, cara e ultrajante." P. 111

O pano de fundo é uma história real, claro, mas o conteúdo todo é um suspense com aventura. O espião é um personagem cruel. Logicamente que deveria ser assim, principalmente em meio a uma batalha que decide muitos futuros, mas Faber utiliza o método de um punhal e não diferencia ninguém, homem, mulher ou criança.

Há capítulos em que Ken Follett começa com uma adrenalina e vai aumentando a tensão. E então quando a cena está pegando fogo e deixando o leitor com os nervos à flor da pele, ele termina o capítulo e intercala com outros personagens, fazendo com que dê vontade de passar algumas páginas para continuar e ver o restante da cena. É a curiosidade instigante. E ao mesmo tempo parece um filme de terror para quem é a caça e em outros momentos para quem é o caçador.

 


Quem gosta de um enredo bem preso e personagens fortes vai se dar bem com esta leitura. Melhor ainda é que Lucy é uma antagonista heroína e na década de setenta foi um tanto arriscado para o autor colocar isto em um livro, já que naquela época não se via muito isto em livros.

O Buraco da Agulha, nesta edição comemorativa de quarenta anos, tem uma diagramação bem diluída e capítulos destacados. Queria que muitos personagens que Follett cria fossem para o cinema ou para um seriado, já que pedir que se tornassem reais é muita coisa. Mas este livro sim merece uma grande comemoração. Que Follett continue criando histórias assim.


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