É tão estranho que uma leitora como eu consiga ler vários livros de diversos gêneros e saber como cada geração e cada ano ou era reage a uma forma diferente sobre certo assunto. E então eu venho aqui falar sobre algo que está em voga no momento: a questão sobre legalizar ou não o aborto. E falo isto em questão de Brasil, pois lá fora a questão já é muito mais evoluída em diversos países.

Então vou contar parte de minha história. Nunca gostei de crianças. Não sou apegada a elas e não sou simpatizante de crianças. Não me leve a mal com esta verdade. Não as odeio e não faço mal. Só não nasci com nenhum tipo de sentimento materno ao qual diversas mulheres nascem. Aos quinze anos comecei a ter problemas nos ovários e a primeira coisa que disse ao médico é que gostaria que ele tirasse fora os meus ovários para que nem precisasse engravidar, já que nunca seria a minha intenção. 

Categoricamente ele disse que não podia fazer isto, pois lógico que eu ia querer, pois todas querem. Hoje tenho trinta e cinco anos e nunca quis. E não quero. Sempre foi uma decisão tomada. Me irrita outras mulheres nunca entenderem o fato e não me respeitarem por isto. 

Em contrapartida sempre me cuidei muito. Sempre utilizei diversos métodos contraceptivos. Mas aí vem a questão principal. Hoje se fala sobre a cultura de aprendizado, que a mulher precisa conhecer seu corpo e precisa saber muita coisa, porém na minha época eu não tive alguém que chegou para mim e me explicou o que acontecia ou o que precisava ser feito. Eu me reunia com minhas amigas que também não tinham experiência nenhuma e fazíamos pesquisas para aprender e esta foi o conhecimento que fui adquirindo.



Hoje há mais disseminação das informações, porém ainda acho escasso e que não chega para muita gente. Já vi pessoas que cuidavam do corpo engravidarem. Gente que tomava anticoncepcional, gente que usava Diu, usava preservativo. A questão é que nada disso é 100% eficaz. E as pessoas não entendem que mesmo que o corpo seja cuidado algumas coisas acontecem e não é por isso que desejamos uma criança.

Sou a favor do aborto pelo fato de saber que há mães que criam filhos como animais e já vi outras amigas tirando os seus com remédios e depois parando em hospitais à beira da morte. A verdade é que a falta de opção leva as mulheres a tentarem ações que as enlouquecem e as levam à morte e não que vão sair fazendo filhos e tirando. 

Há a necessidade da compreensão que sempre há pessoas que vão ter uma formação e um pensamento ruins a este respeito. Que vão sim achar normal abortar. Já conheci pessoas assim também. Uma mulher que engravidava e abortava com a melhor tranquilidade do mundo, mas isso não justifica que a legalização nos transformará em pessoas assim, pelo contrário, é uma forma de  aliviar a vida das mulheres.

Ninguém aborta porque gosta, acredite. Não importa as regras sociais ou religiosas. Cada mulher sabe a dor que carrega no ventre e no coração. Esta coisa de que mulher que engravida tem que criar é tão absurda e tão arcaica que nem é válida para argumentação. 

O importante é entender que é necessário ensinar as crianças, as adolescentes e até mesmo as mulheres todas as formas de prevenção. Mas mesmo assim nada é perfeito e ninguém deve viver um pesadelo ao qual sabe que vai desencadear a infelicidade de muitos. Ou até mesmo a morte.



5 Comentários

  1. Olá, Greice!
    Esse tema é muito polêmico e muito dolorido, não é verdade? Eu levanto a bandeira de "Não ao aborto", tenho as minhas razões de ser a favor, uma delas é pensar que para minha vida ser perfeita, se eu tenho que matar alguém, por menor que seja, eu prefiro seguir em frente... Eu sei que os militantes da questão vão dizer sempre que a vida não começa ali nos 3 meses, mas ela começa sim, a partir do momento em que as duas células se fundem e acho que estamos meio que brincando de "pequenos deuses" que possuem o controle da vida e podemos até mesmo dizer quem vive e quem morre.
    Eu sei que nem todas as mulheres tem essa inclinação para a maternidade e que os métodos contraceptivos não são 100% seguros, mas os casos de erro quando as pessoas são cuidadosas, como você são muito baixos também, então, o fato da liberação do aborto vai facilitar demais a vida de quem não está nem aí pra nada, não acha? Você não se previne e depois vai no hospital e retira um feto que pra essa mulher é um peso, porque ela não quer saber de responsabilidade e o sexo, no geral requer uma responsabilidade que nem todos estão dispostos a assumir. Ou seja, as pessoas querem o conforto e o prazer, mas não quer assumir as falhas. Sei que muitas mulheres não querem levar a gravidez até o final, talvez por não quererem ver seus corpos modificados, mas será que isso é mais importante que a vida de outra pessoa? Vale? Não sei... Mas, em último caso tem a questão de doar esse bebê para casais que não podem engravidar, para adoção. Tem gente que diz que a questão das crianças abandonadas abona a lei do aborto, mas essas crianças estão nas ruas justamente porque algumas mulheres, junto com seus companheiros não assumem a responsabilidade do ato sexual, e a questão é essa, uma política que esclareça a quem começa a praticar sexo, que ele não é só prazer, mas responsabilidade, não apenas da mulher, mas do homem também. Eu fico imaginando aqui quantas campanhas a gente vê por aí para protege baleias, tartarugas nos ventres de suas mães, ou fora, mas não vejo a mesma disposição do ser humano em proteger seus filhos, acho que isso é muito triste. Mas, eu não desrespeito quem pensa igual a mim. Sei que esse é um assunto que temos que continuar falando, porque diz respeito à própria vida e o que escolhemos para o amanhã.
    (continuo)

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  2. Respeito sua opinião. Entendo sua posição e acho que você fez até hoje, tudo o que estava ao seu alcance para não permitir que houvesse motivo para interrupção de uma gravidez, procurando se informar e utilizar os métodos que fossem melhor para o seu caso. Isso, sim, é louvável e é o que acredito que deve ser feito. Não acho que tantas pessoas tenham gravidez indesejada se utilizar de forma adequada esses métodos, acho que o ser humano é extremamente comodista para achar que é mais fácil abortar do que se prevenir porque tem muita gente que fuma, por exemplo, sabendo que isso pode resultar num câncer de pulmão futuro, muita gente que bebe descontroladamente e não para porque é melhor continuar com o vício do que ter uma vida mais equilibrada... quanta gente tem por aí que perdeu a família por essas questões e que não se cuida? Eu pensei muito antes de responder ao seu post, porque todas as vezes que falo alguém me entende errado, um dia desses sofri muito com a reação de uma conhecida aqui da net a quem sempre tratei super bem, estava conversando a respeito do assunto e simplesmente ela surtou e começou a me dizer uma porção de desaforos porque eu não tenho a mesma opinião que ela. No final eu disse, calma, minha amiga, nós não estamos brigando, estamos conversando e sabemos que temos opiniões divergentes, isso não é suficiente para nos tornar inimigas uma da outra. Eu escuto seus motivos e você escuta os meus e cada um reflete. Talvez, quem sabe, você mude de opinião. Talvez seja eu que tenha de mudar de opinião, mas isso não precisa ser uma guerra, pois já temos muitas acontecendo todos os dias, não precisamos de mais uma, entende?
    Então, eu espero que minha opinião não seja ofensa pra ninguém, mas meu modo de pensar a vida e olhar e tentar entender quem não pensa do meu jeito.
    Espero que a gente chegue num denominador comum e não a um tempo em que a comodidade da pessoa humana seja mais importante de se discutir do que um genocídio antes da vida existir, sendo realizado de qualquer jeito e sem critério algum apenas porque alguém quer varrer o "lixo" para debaixo do tapete!
    Muito respeito pelo seu post e pela sua opinião!
    Grande abraço,
    Drica.

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    1. Oieeee. Em primeiro lugar não é possível que uma pessoa tenha que brigar com a outra somente pelo fato de discordar dela né. seria um absurdo. Isto seria um pensamento irracional, já que é um assunto a ser discutido e justamente para isso que precisamos falar, para a troca de ideias. Concordo com algumas coisas que você disse. Para mim, a vida começa na concepção, ou então a pessoa vai dizer que está grávida só nos 3 meses? Lógico que não. A vida começa ali mesmo.
      Também acredito que tenha que haver responsabilidades e não aquela coisa de: engravidei? poxa, não quero então vou tirar. Isso não é nem sequer ser coerente com o próprio corpo e também não se faz isso nem com animais, que dirá com seres humanos.
      Eu acredito na questão do aborto mais no fato de saber que tem mães que vão maltratar seus filhos, porque acredito no ser humano que ama incondicionalmente.
      Também temos que ver a questão de que cada um tem sua própria consciência e que vai precisar conviver com isto. Acho que também faz parte de um medo sabe, pois eu tenho medo de ser mãe, de ter uma criança doente, por exemplo. Mas é como eu disse, eu sempre me cuidei.
      Mas concordo sim com você em partes. Não é simplesmente como tomar uma remédio quando há dores de cabeça. Acho que são casos específicos pois o aborto já acontece, porém ilegalmente e isso mata muitas mulheres.

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    2. Verdade, Greice, a gente tem que conversar muito, mas o respeito é fundamental! Muito boa a sua postagem!

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  3. Olá Greice,

    Muito bom o seu post, eu não concordo com o aborto, acho que ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém, como você mencionou, as pessoas tem que se informar e procurar todos os métodos para evitar a gravidez, o caso em questão é muitos não buscam se informar ou no momento que está na relação que muita das vezes é precoce, não quer usar nem camisinha, que além de evitar a gravidez evita doenças, se procurar tem muitas mulheres que não podem ter filhos e que não conseguem adotar, lembro que uma vizinha da minha mãe engravidou e não queria o filho, uma amiga da minha mãe não poderia ter filho e queria adotar, assim foi feito e ficou tudo bem, mas é minha opinião a respeito as dos demais....bjs.


    http://devoradordeletras.blogspot.com/

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