12 abril 2017

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Agressão à mulher: eu denunciei!


Aqui o post vai ser um pouco pessoal, apesar de que este tema tem se tornado cada vez mais acessível ao público e ainda bem que cada vez mais as pessoas tem tomado a consciência de que tudo que a mulher faz não deve ser levado em conta como provocação ou um motivo para ser agredida de alguma forma.

Pode não acontecer com você, ainda bem, ou pode acontecer com alguma pessoa que você conheça, como é o meu caso ou ainda mais com você, o que também é o meu caso, como vou explicar agora. O mais importante de tudo é algo que sempre falei para mim: nunca deixaria alguém me agredir sem tomar algum tipo de atitude.

As agressões começaram na minha adolescência, quando meu irmão achava natural agredir pessoas por qualquer motivo que fosse contra os seus pensamentos. Geralmente as agressões eram contra mim e não era algo simples, eu realmente levava chutes e socos e não conseguia reagir, apanhava até ficar bastante machucada, sangrar ou desmaiar.

Claro que todas as pessoas sempre colocam algum motivo, inclusive minha mãe que sempre achou que eu provocava ou que eu merecia, mas o simples fato de eu atender o telefone em um momento inadequado já foi motivo para um espancamento.
Nestes meus anos de adolescência eu nunca denunciei nada, nunca fiz nada porque minha mãe implorava para que eu não tomasse nenhuma atitude e eu sempre segui o pedido dela, pensando nos sentimentos dela e não nos meus. As drogas, a rebeldia, o incômodo continuo até o momento que a pessoa teve que ser mandada embora de casa e eu pude respirar aliviada, mas agora lido com a depressão e o trauma disto tudo.


Há umas duas semanas este agressor voltou a demonstrar ameaças, mesmo morando de volta debaixo do mesmo teto, junto de meus pais. Jurei que nunca mais ninguém encostaria a mãe em mim e para me proteger sabia que seria necessário fazer uma denúncia, aquela que nunca tinha feito antes. Liguei no 180, central de denúncias contra agressões e relatei todo o fato.

Se você sofre qualquer tipo de agressão, não somente física, mas emocional ou sexual, não deixe de fazer isto. Você pode fazer a denúncia através do 180, onde eles vão pedir informações sobre suas características físicas, as do agressor, endereço, as ocorrências anteriores, as atuais, se você corre algum tipo de risco, vão indicar as delegacias especializadas, casas caso você precise fugir, locais para tratamento psicológico e tudo o mais. O atendimento é excelente e não há nenhum tipo de julgamento. Você pode saber como faz para conseguir até mesmo uma medida de afastamento do agressor. E eles abrem investigação sobre todas as denúncias.

Aliás julgamento é a última coisa que deve acontecer. Ninguém tem o direito de agredir outra pessoa indiferente do motivo. Você pode ficar segura em lugares específicos para mulheres que são ameaçadas, mas jamais deixe de denunciar, pois quem bate uma vez vai bater sempre.

Eu me sinto melhor agora, mesmo sabendo que pode vir a acontecer novamente, mas tenho a certeza de que fiz a minha parte e que isso pode ajudar a muitas outras mulheres. Peça ajuda sempre que preciso.

Calar-se não é a solução. Calar-se pode ser a última solução de um ato brutal.



4 comentários:

  1. Pedir ajuda é essencial. Não é vergonha, não é traição. É necessário para a sobrevivência da vítima, para o seu bem estar e sua saúde mental e emocional. Quem está errado é o agressor, não a vítima. As pessoas precisam ter essa consciência.

    Ótimo post amiga. É triste essa situação, espero que não aconteça mais nada desse tipo com você. Amo tu!

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    1. Com certeza. Não é vergonha e nem medo. Tem que ter preservação.

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  2. Que coragem a sua.
    Coragem pela denúncia, coragem pelo post.
    Tá certíssima.
    Que seja exemplo e motivação pra outras pessoas que são vítimas de agressão.
    Que vc fique bem.
    Bjs

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    1. Temos que ajudar umas às outras, porque somos iguais em todos os sentidos.

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