16 março 2017

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Fanatismo religioso: a prisão mental!


Esta matéria pode parecer pretensiosa aos olhos de alguns leitores, mas acredite que o que vou relatar nas próximas linhas já vem de algum tempo e com certeza de alguns anos de convívio com a relação religião x espiritualidade.

Não sou uma pessoa que não acredita em Deus, portanto já pode deixar de imaginar que vai ser algo que eu vou ficar criticando. Acredito em algo maior, em uma criação de um mundo feito por algo divino, mas diferente do que as religiões colocam perante os que acreditam nela, ou melhor, da forma como alguns acreditam ou tentam fazer outras pessoas acreditarem.

Muitas vezes me pergunto se quando rezo alguém está me ouvindo ou é um processo em que a mente cria um laço de pensamento positivo em que já foi comprovado em diversas pesquisas que pensamentos positivos criam reações positivas no corpo. Tanto que pessoas que tem mais fé reagem mais em casos de doenças, justamente pelo fato de terem mais reações positivas.

A questão de ser fanático é o que mais me revolta, não no caso de ser a opção da pessoa e sim o que cada religião impregna na mente do indivíduo. Para mim isto gera uma relação de culpa e medo em quem segue e faz com o mesmo deixe de se perguntar ou indagar certas questões.

Há religiões que acreditam que somente quem segue aquele tipo de conduta vai ser salvo no momento em que Jesus voltar ou no momento do chamado juízo final. Há então quem deixe de cortar o cabelo, quem não use calças, quem não possa assistir a TV, não possa ouvir músicas diversas e por assim vai. É a este tipo de fanatismo ao qual me refiro.

Já estive em um relacionamento em que a pessoa acreditava que depois do casamento, em menos de três meses o casal era obrigado a ter filhos, e não poderia demorar muito para casar também. Mas o que mais me choca foi que descobri que estar em outro relacionamento me deixou ainda mais presa dentro de mim do que eu imaginava.

Esta religião em específico acredita que somente quem a segue e faz as coisas de sua maneira é que vai poder ser um ser celestial após a morte. E as imposições são diversas: não se pode ver televisão, não se pode ter nenhum tipo de atitude destrutiva (comer demais, beber, fumar, usar drogas), tem que haver um altar, fazer orações e meditações específicas, sexo somente sem preservativo, sem prazer e somente em uma posição, tem que analisar-se a todo o momento para ver se não está emitindo pensamentos de natureza pecaminosa, não se pode ler livros quaisquer. Coisas do gênero. 



É algo que parece cegar. Não sou adepta de nenhuma religião em específico, mas já frequentei e frequento várias, as quais me sinto bem. Porém no momento em que alguém passa a acreditar que somente a sua religião é que é a verdade, que somente o que ela segue é que a fará evoluir, que pessoas diferentes em gênero sexual vão direto para o inferno e que qualquer coisa diferente as fará encarnar um demônio, me dá asco. Porque desde o início de religiões foi criada a crença de que quem não faz tal coisa vai para o inferno.

É como viver preso dentro de uma mente com medo. Por gostar da pessoa eu me sentia obrigada a estar olhando minhas atitudes, a pensar que deveria deixar minha vida sexual de lado, a viver rezando, a fazer cursos e tudo o mais e aos poucos fui me perdendo e ficando cada vez mais triste porque não estava sendo eu mesma e sim seguindo um padrão da sociedade. Não deixo de acreditar e de rezar, mas sem uma obrigação de hora e lugar.

Não existe uma única verdade. Cada ser tem uma forma de pensar e se esta forma te deixar feliz e satisfeito e você perceber que está te fazendo levantar e seguir em frente, então esta é a sua verdade. O resto é a imposição criada por outros. Cada um tem uma religião, uma crença, uma fé. E o respeito é necessário. Há quem não acredite em nada, há quem acredite em tudo.

Acredite no seu coração. Na sua intuição. Não precisa estar dentro de uma igreja para ser ouvido. Há pessoas que vão à missa todos os dias e quando saem de lá a primeira coisa que fazem é falar mal das pessoas. Não use uma venda para uma única crença. Aceite a todos como eles são sem querer empurrar nada, pois cada um sempre acha um caminho. Um conselho é uma vantagem, uma imposição é desperdício.

E no tempo em que percebi que o fanatismo me faria mais chorar do que sorrir, eu optei pela felicidade, mesmo que sozinha.




17 comentários:

  1. Jesus não era fanático, mas tinha vários princípios que regiam sua vida. Acho que se nos espelharmos de verdade no que ele deixou, não vamos nos desapontar. Infelizmente, muitas religiões se distanciaram do cristianismo e se tornou um comércio, ou uma forma de dominacao de massas.
    Que tenhamos sabedoria para separar o que é bíblico do que é piração.
    Bjsss
    Luana
    www.umasegundaopiniao.com

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  2. Eu odeio extremismos. Seja ele em qualquer área dessa vida. Fanatismo, extremismo, só leva a destruição. Uma pessoa religiosa é fanática, extremista e cega. Antes que alguém aqui interprete errado o que quero dizer, quando falo de uma pessoa religiosa, estou falando daquelas bitoladas, cegas por dogmas religiosos...pessoas que acham que são as donas da razão e da verdade. Jesus nos apresentou várias pessoas assim na Bíblia e nunca o vi apoiar nenhum.

    Existe algo que as pessoas esquecem. Algo que é muito simples e que muitos fecham os olhos. Não é religião que salva. Não é religião que santifica. Não é religião que faz a pessoa tornar-se um ser de luz, um ser celestial, uma pessoa santificada. Jesus falou o seguinte: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai se não for por mim." Portanto, não é plaquinha de igreja que salva, que liberta ou que é verdade. O caminho é Jesus. A verdade é Jesus.

    Religião é uma prisão. E você está mais do que certa na escolha que fez. Amo tu amiga!

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    1. Extremos são destrutivos mesmo, em qualquer área. As pessoas não conseguem conversar e aceitar coisas diferentes.

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  3. Oi Greice, também me incomoda o fanatismo, acho que acaba gerando muito intolerância com o outro, se distanciando até do que as religiões pregam. Uma bela postagem para sentar, refletir e debater.
    Bjs

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  4. Eu também não curto muito as religiões. E também não quero que me entendam errado, eu acredito em Deus, só não acredito nas religiões. Tudo o que vejo nelas são opiniões e desejos de homens (ser humano, não necessariamente gênero masculino). Deus deveria ser sobre amor ao próximo e perdão, e as religiões o transforma em ódio. Certas vezes vejo situações que custo acreditar que sejam reais. Um fanatismo que cega complemente. Certas pessoas acreditam em absolutamente em tudo que é dito para elas, nunca questionado, sempre propagando o ódio.
    Como certa vez li no facebook: Jesus é um cara super maneiro, o que estraga é o fã clube.

    Bjs.

    www.ciadoleitor.com

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    1. Te entendo perfeitamente. Antes tinhamos que seguir algo, hoje podemos ser livres em somente acreditar.

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  5. Oi, Greice!

    Quase sempre o fanatismo se torna algo ruim, as pessoas não enxergam os limites.
    Eu, neste momento, não me considero pertencente a nenhuma religião, como você, acredito em algo maior, diferente daquilo que muitas costumam pregar.
    Verdade absoluta é, sem dúvida, algo inexistente. O amor pode ser a salvação. Mas de que amor falamos? Parece que cada grupo tem uma definição diferente... Triste.
    Adorei o texto!

    Um super beijo!
    Thamiris Dondóssola,
    Blog Historiar
    Participe do sorteio de aniversário.

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    1. Isto. Algo maior do que os humanos imaginam que seja colocar ideias sobre o que se deve ou não fazer.

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  6. Uau! Aplaudindo você de pé!
    Que texto maravilhoso!
    Compartilho totalmente da sua opinião. Acredito que devemos seguir e acreditar naquilo que nos faz bem, nos deixa em paz, e não querer impor nossas crenças a ninguém.
    Essa "lavagem cerebral" que algumas religiões fazem em seus seguidores é algo absurdo e só faz com que enxerguem suas verdades, acreditando serem as únicas verdades do mundo. Lamentável.
    Mais uma vez, parabéns pelo texto.
    Beijos.

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    1. É uma grande lavagem mesmo, porque é basicamente impor vontades ue cada uma tem.

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  7. Nossa! Que coisa!
    Eu aprendi muito a conviver com pessoas de diversas religiões, mas sempre deixando muito claro que cada um na sua. Você me respeita e eu te respeito. Quando ultrapassava esse limite, eu sempre procurava me afastar e não me arrependo disso.
    Fanatismo religioso chega a ser meio lunático... sei lá. tenho medo de pessoas assim, inclusive...
    Ótimo texto. Parabéns!!

    Ana Souza
    https://literakaos.wordpress.com/

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    1. É, tem que seguir a questão do respeito. Isso é o mínimo.

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  8. Greice querida, mas uma vez um ótimo texto reflexivo e crítico. Adorei e concordo. Fé em Deus (ou em algo superior), esperança, amor, compaixão, caridade e tantos outros sentimentos quando colocados em prática são muito mais importantes do que seguir as regras de uma religião qualquer. Concordo que não nascemos para viver em prisões e sim para fazermos nossas escolhas com liberdade e claro que se seguirmos por caminhos destrutivos teremos que pagar pelos nossos erros, deixando assim de evoluir naquele momento, mas sempre teremos a oportunidade de recomeçar nossa caminhada, com arrependimento verdadeiro e desejo de melhorarmos.
    Enfim o importante é crer que nascemos com uma missão e que nossa vida está em constante movimento de aprendizado e seguir em frente com fé e esperança.
    Beijos

    Leituras, vida e paixões!!!

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  9. Oi Amiga,

    Também não gosto do fanatismo, ele acaba por afastar as pessoas, porque alguns querem impor, algo que deve ser escolhido por cada um. E realmente não adianta seguir uma religião se é só virar as costas e a pessoas comete erros.

    Gostei do texto e eu também acredito em algo maior, não em pessoas que dizem saber o tudo e querem que acreditemos em suas palavras.

    Beijos
    http://amagiareal.blogspot.com.br/

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  10. Olá,
    Simplesmente adorei a postagem e concordo com várias posições aqui relatadas.
    Faz um bom tempo que não vou à igreja e muitas pessoas me julgam por isso. Confesso que desanimei depois de um episódio bem chato. Tenho meus cabelos pintados com cores fantasia e resolvi ir a uma determinada igreja. O pessoal simplesmente me olhou da cabeça aos pés, virou a cara e quando fui comprar uma bíblia porque infelizmente tinha esquecido a minha na casa dos meus pais que moram a 700 km e quando voltei haviam tirado minhas coisas do lugar que tinha deixado e foi uma briga até conseguir encontrar. Cadê o amor ao próximo como muitas pregam?
    A partir de então deixei de frequentar e faço minhas orações em casa e Deus sabe do meu coração e conhece minha alma.
    Fanatismo é realmente uma prisão. Preconceito então!

    LEITURA DESCONTROLADA

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  11. Olá amiga, ótimo post. Eu não sou uma pessoa religiosa, sou espiritualista, não sou tipo de pessoa que procura ir em igrejas, templos, e afins para afirmar a minha fé em Deus. Acredito que ele esteja em todos os lugares, onde ele aceita o que vem do coração, nada de preces decoradas, e sim um bate papo despretensioso. Tudo que envolve muito fanatismo me incomoda, tento manter longe desse tipo de comportamento. Mas para tirar essa sensação estranha de tantas religiôes que existe, é bom conhecer um pouco de cada uma delas e aprender a respeitar as diferenças. Bjkas

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  12. Oi, Greice!
    Religião é mesmo um tempo muito polêmico, por isso não gosto muito de discutir o assunto. Acredito que cada um deve buscar aquilo que lhe faz bem, estar sempre dentro de uma igreja não quer dizer que você é o perfeito, o correto e sem pecados. Me incomoda muito quando as pessoas querem impor suas crenças a todo custo nos outros, para mim cada um é livre para fazer suas escolhas. Adorei o texto!

    Beijos,

    Rafa [ blog - Fascinada por Histórias]

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